E é com muito prazer que nesta sexta (16/07) voltamos com a festa Robotika no reinaugurado espaço luxuoso do Club Vibe. Essa festa vem acontecendo desde 2005 é a minha residência mensal num dos melhores espaços que a cidade já teve e continua tendo. Aguardamos quase dois anos para voltarmos animados no mesmo lugar que nos consagrou e valeu a pena, a Vibe está maior, mais confortável e com uma iluminação surreal.
Ali, eu e DJ Aninha temos total liberdade para tocarmos o que nos vem à imaginação, então já imaginou a mistura de house, techno e disco desde seus climais mais fortes a climas minimalista, com ou sem vocal, com ou sem melodia, mas nunca entediante.
Para esta primeira edição entramos em conexão com o after-hours Paradise do conceituadíssimo Clube D-Edge de São Paulo: os DJs convidados são Mauro Farina e Rafael Rosa, residentes das madrugadas e manhãs de domingo do clube paulistano. Como podem ver, DJs e música boa não vai faltar.
Esse produtor e DJ foi o responsável pelo primeiro contato entre as cenas de Amsterdã e Detroit (via Kevin Saunderson). E não era à toa: seu techno de poucos elementos e sofisticação melódica tinha tudo a ver com a capital do techno no comeco dos anos 1990. Uma das músicas que bem exemplifica essa consistência é “Play It Loud” do projeto Baruka de 1994, um dos inúmeros aliases que Voorn assumiu na sua longa discografia.
Como no post anterior, continuo com o assunto Holanda, e ainda sobre o DJ e produtor Steve Rachmad, um dos meus preferidos de Amsterdã.
Ignacio é outra persona de Rachmad e o single que representou bem seu som é justamente este primeiro que lançou o projeto. Com bpms lá em cima é a cara do techno da época: minimal e acelerado. Ao mesmo tempo com um senso melódico que quebra um pouco o fato da música ter poucos elementos e ser tão repetitiva. Coisa de mestre.
E a Copa, hem… Se você, como eu, não leva isso muito a sério, vai entender porque estou citando a Holanda nesta espécie de homenagem à música de maior qualidade que ela tem nos brindado nas últimas décadas.
Um dos meus produtores prediletos é o DJ Steve Rachmad, tido como o mais detroitiano dos produtores de Amsterdan, sobretudo sob a alcunha de Sterac, que nos anos 90 nos brindou com esta obra-prima.
Trilha sonora de muitos fins de noite e provavelmente ponto alto dos primeiros after hours no Brasil, esta música é a prova que o techno também pode ser melódico, poético e, sobretudo, sofisticado.
Depois dos anos 2000 Rachmad transformou o projeto em Sterac Eletronics. Mas além desse alias, também ficou conhecido como Ignacio, Dreg, Continous Cool e, claro, Rachmad Project, dos quais vou voltar a falar mais pra frente.
Semana dedicada a uma parte dos anos 1990 que tocaram a todos que lá estiveram, como eu e vários amigos espalhados pelo mapa do Brasil. Como bem lembrou o Xisto, que agora mora em BH, foi uma época em que eu morava em Maringá (região do Norte paranaense) e tínha uma turma de amigos e agregados obcecados pelas novidades que vinham da Europa. Até uma mini-rave (se é que podemos chamar assim) a gente tentou fazer na época!
Entre muitos que faziam parte dessa turma dos loucos por música e noite, começo mencionando Josley B, Fabricio (D.Vyzor), Adriano (Haveck) e Docão que se tornaram todos excelentes DJs, além de Batata & Carlão (dupla engraçada que se agregou a nós), o promoter Waltão Garcia e os irmãos Ricardo e Marcelo. E mais tarde o próprio Xisto iria se juntar a nós. A maior parte dessa turma animada acabou se juntando até pela frequência da danceteria que foi fundamental para a noite de Maringá nessa década, a Yellow. E foi nesse lugar que assistíamos muitos vídeos recém-lançados pela Telegenics, distribuidora poderosa da época e que nunca tínhamos ouvido falar, mas que foi fundamental na divulgação dos novos artistas que bombavam na novíssima cena da house e techno da época. Internet? Mp3? Nem sonhávamos, definitivamente eram outros tempos.
E como trilha desse momento, lembro muito bem dessas músicas mais doces embaladas com uma voz suave de alguma cantora obscura que tinham apenas um hit e depois sumiam, para dar a vez à próxima novidade. Uma delas foi Kirsty Hawkshaw do Opus III, nessa enigmática “It’s a Fine Day”, que até hoje não entendo como fez tanto sucesso: pode-se dizer que era o vocal, os arranjos de bom gosto (o que não quer dizer que seja popular), a melodia grudenta, o fato da música ter um formato pop, sei lá. Pense comigo: quantas músicas nesse formato foram lançadas ne época? Aqui no Brasil chegaram poucas, mas sei que no Reino Unido tinham vários singles com essa proposta.
E só pra constar, a versão original dessa bela música é da dupla Jane & Barton em 1983.
Uma das músicas que queria postar há tempos é este clássico do grupo inglês Sunscreem, que só traz boas recordações a todos da minha geração que viram a chegada da house e da cultura rave no Brasil no começo dos anos 1990. O mais bacana dessa música é que ao mesmo tempo em que ela é dançante é quase uma balada de tão doce que são melodia e os arranjos e voz da cantora do grupo Lucia Holm. O caráter futurista desta “enchedora de pistas” vem dos timbres muito bem arranjados, além terem sido muito felizes na cadência dos acordes (total papo de músico).
Depois deste smash hit o Sunscreem, cujo nome descobri veio de um sintetizador da Yamaha, praticamente se tornou o famoso one hit wonder pois os singles “Perfect Motion” e “Pressure” não empolgaram tanto os fãs de música eletrônica na época. Mesmo assim com “Love U More” garantiram seu lugar como um dos grandes singles da década de 90.
O grupo inglês Bizarre Inc. teve uma ascenção rápida no começo dos anos 90 e tinha na sua formação inicial Dean Meredith e Mark Archer, este último saindo após o primeiro álbum (Technological) pra formar o Xen Mantra e depois o Nexus 21/Altern 8. Com a debandada de Archer entraram Andrew Meecham and Carl Turner que iam formar o trio que iria marcar as paradas dance da Europa e EUA entre 91 e 93.
O primeiro single que os colocou em alta rotação nas pick-ups dos DJs foi a proto-hardcore “Playing With Knives” com a clássica fórmula em que o peso no corpo principal da música é alternado com um refrão melódico/extasiado.
O próximo single “Such A Feeling” trazia samples que lembravam as multidões das raves que estavam em seu auge no Reino Unido e na Europa, consagrando o Bizarre Inc. como um dos maiores live acts daquele momento.
Era hora de lançar o segundo álbum que veio com o nome “Energique“. Vale lembrar que nesta época os novos projetos/bandas de house e techno raramente lançavam neste formato, sendo o single 12″ em vinil o meio predileto de divulgação.
Desse mesmo álbum saiu o maior hit do projeto, a crossover de dance e pop “I’m Gonna Get You”, uma house com vocais dignos das melhores produções norte-americanas (cortesia de Angie Brown), e talvez por isso mesmo tenha sido a música que melhor colocação obteve nos charts dos Estados Unidos, chegando ao posto #1 da parada hot dance club e #47 na parada geral da Billboard.
Na sequência ainda obtiveram ótimas colocações com os singles “Took My Love” e “Love In Motion”. Depois gravaram um terceiro álbum e o projeto se desfez, sendo que a dupla Meecham and Meredith formariam mais tarde o projeto Chicken Lips, aquele do hit pioneiro de electro house “He Not Inn”.
E pra terminar deixo uma apresentação deles num programa de TV inglês na época do seu auge, com direito a um bom playback. De qualquer forma, vale pelas roupas, acessórios e cortes de cabelo pré-clubber e pelos passinhos de dança ainda remanescentes da acid house.
Passado um dia após o show, ainda tento digerir tudo o que ví. Uma certeza fica: queria assistir de novo só pra prestar atenção em mais detalhes de tanta música boa a que fui exposto nas 1h40 ao vivo com Mr. Little Idiot.
Fica um vídeo de um dos meus hits prediletos, Go, ao vivo em Curitiba. Quer saber o que foi esse show? Leia o review do show no RraurlMusicness.
Aproveitando a vinda no Brasil do produtor e DJ Moby vou fazer uns posts com minhas dicas, já esquentando pro show da quarta-feira (21/04) em Curitiba, onde moro atualmente.
Lembro que em 1993 começamos a ouvir falar nesse produtor de Nova York que tinha um certo hit nas raves da Europa e EUA. Eu e meus amigos em Maringá (onde morava na época) éramos um pequeno grupo que trocava informações musicais e, lembro como nos identificamos com o som atmosférico de Moby. Nessa época reinava no meio eletrônico underground os sons agressivos do hardcore techno (Altern 8, Prodigy em começo de carreira, T99, Praga Khan e toda sua trupe belga) e a gente acabou colocando o Moby nesse mesmo saco de gatos. Detalhe que o termo e o som do trance estava nascendo e não podíamos imaginar que o hit “Go” de Moby era a antesala pra grande arena da trance music que ia se formar nesse ano.
Nosso coração dividia-se entre a pastilhada “Next is the E (I Feel It)” e “Go”. Fora a anomalia que era a track “Thousand” (lado B do single “Next Is The E”) que chegava 1000 bpms (daí o nome da música), o que nos impressionou na época. Ela era uma boa peça de marketing na verdade, pois daí surgiu a conversa que era a música mais rápida já feita na história…E então ele lançou o EP “Move” mostrando um caminho com bpms mais baixas e refrões com vozes negras já dando a dica da influência soul que ia aparecer nas suas produções mais pra frente. Ah claro, muito pianos melódicos.
Go (1991) -- com melodia da trilha da série americana campeã de audiência Twin Peaks e sample de “Go” do Tones On Tail.
Go (Trentemoller Remix) (2008) - um dos poucos remixes recentes dignos de nota, na minha humilde opinião.
Next Is The E (1992) - pianos melódicos em profusão, altas bpms, gritos e samples em homenagem ao Ecstasy que tomou conta da cena das raves européias e norte-americanas.
Thousand (1992) - tente dançar isso e ganhe um ataque cardíaco de brinde…
Move (You Make Me Feel) (1993) -- mais uma alusão clara ao deslumbre com o ecstasy na única frase da música.