Na quarta-feira (20/07) todo nas comemorações do Restaurante e Piadineria Aurora, em Curitiba. O clima da noite será mais calmo com trilha baseada nas levadas de clássicos e novidades da Disco Music e House.
Essa faixa lançada em alemães do Der Dritte Raum tocou em 1999/2000 neste lado do hemisfério. Lembro que uma das primeiras vezes que ouví a track foi num set do (ultra eclético) Laurent Garnier via internet discada (alta era paleozóica da rede) e o arranjo do sequenciador, a quase ausência da caixa (ou snare como dizem meus amigos produtores fanáticos), o bumbo e baixo gordos gritavam nos meus ouvidos.
O quê era isso afinal? Trance? Prog house? Techno melódico? Tudo isso misturado. E os DJs não deixaram de comprovar essa teoria, tocando-a tanto pra dar uma esfriada num set de techno mais nervoso, como pra dar um ar mais viajante num set de house voltado para vocais. Fosse onde fosse a música não passou desapercebida. Não demorou muito e Hale Bopp se tornou um clássico instantâneo da então nova cena das raves brazucas, que já entravam de cabeça na vertente psy trance.
Fosse o que fosse, até hoje observo como algumas pessoas comentam quando ela é tocada em algum set 11 anos depois de ter sido lançada. Um belo exemplo de uma música que foi tocada tanto por DJs de house, techno, trance ou psy e que ainda rende muitos passos nas pistas mundo afora. Bem que podiam sair mais músicas que unificassem a nação eletrônica. Você lembra de alguma que foi ou é (quase) unanimidade?
O meu amigo e DJ Gil Riquerme me enviou uma acid houseque me levou a escrever este post. A samplemania foi uma fase que veio e foi-se rapidinho bem na época da chegada da house music no Brasil em 1990/1991.
Na verdade era tudo consequência do uso, muitas vezes exagerado, de um brinquedo novo, o sampler, aparelho este que foi lançado na década de 80 no final dos anos 70 e estava começando a ficar acessível aos “produtores de quarto”, como eram chamados pela imprensa da época, os garotos que mal tinham saído da adolescência e eram fascinados por tecnologia. Podemos dizer que eram os nerds musicais daquela fase. O sampler nas mãos dessa garotada se prestava a tudo, gravando qualquer coisa, de explosões num filme, vozes num telejornal, sons de animais e da natureza. Desde que tudo pudesse ser comprimido numa mesa de 4 canais, beleza.
Pelo que me lembro, tudo começou com a faixa “Pump Up The Volume” do M/A/A/R/S um remix que a alucinada dupla Coldcut fez para a faixa “Paid In Full” para a relativamente conhecida dupla de rappers Eric B & Rakim. Se a faixa original não tinha nada demais, foi esse remix que jogou tanto os rappers autores da track, como a dupla de remixers na mídia.
Duas curiosidades de bastidores: a voz feminina no meio da música é da cantora israelense Ofra Haza, catalpultada também à fama graças a essa sampleagem, que combinava perfeitamente com as batidas quebradas do rap de Eric B & Rakim. Sorte nossa, que de outra forma talvez nunca conhecêssemos sua voz incrível. O segundo detalhe envolvendo o Coldcut é que mais tarde ficariam famosos como ótimos produtores e por serem os responsáveis por lançarem a diva Lisa Stansfield.
Logo na sequência surge o M/A/A/R/S pela gravadora 4AD lançando a primeira house com o espírito samplemaníaco, a clássica “Pump Up The Volume”, com o refrão roubado, ops, sampleado de “Paid In Full”. O curioso desse projeto é que entre os produtores estavam músicos de projetos como os alucinados Colourbox, os enigmáticos A.R. Kane, ambas do selo 4AD, além de Ivo Russel, o dono da gravadora. Acrescente aí o ainda desconhecido C.J. Mackintosh, que mais tarde seria DJ residente da Ministry Of Sound. O resultado disso tudo foi o single alcançar #1 na parada do Reino Unido em 1987.
Falando em Colourbox, estes lançaram nessa mesma fase a pouco conhecida “Hot Doggie”. Com pegada totalmente rocker, foi lançada meio perdida na coletânea Lonely Is An Eyesore da 4AD. Um dos samples mais inusitados no meio dessa música são os gritos tirados do filme de terror B “A Morte do Demônio”. Ouvindo hoje percebo que o sampler da guitarra tem uma pegada meio “Wild Thing” do Tone Loc.
E pronto, abriu a porteira pro que viria na sequência! Hit de dimensões planetárias, “Beat Dis” do Bomb The Bass caiu como uma bomba nos meus ouvidos quando lançada no Brasil pelo já finado selo Stiletto, que representava os melhores selos independentes do Reino Unido naquele final de anos 80. Foi com essa música que eu ví todo o potencial da house music numa pista. A capa do single tinha um smile tomando um tiro (tirado da graphic novel Watchman) e o álbum “Into The Dragon” uma bela arte meio mangá meio grafite que pra mim foi um aviso da década de 90 chegando. Foi direto pro Top Of The Pops inglês, tamanha a repercussão do single nas paradas.
O single “Megablast”, lançado na sequência, veio a confirmar que Tim Simenon, o DJ e produtor por trás do Bomb The Bass, não estava pra brincadeira…
O Coldcut, que tinha dado o pontapé na samplemania, lançou seu álbum “What’s That Noise?” na sequência e vinha com a alucinada “Stop This Crazy Thing”.
Talvez um dos maiores hinos dessa tomada do mundo pela empolgação da acid house + samplemania foi o S’ Xpress com seu “Theme From S’Xpress”. Mais um pro Top Of The Pops da Inglaterra. E nada mais a dizer.
E o projeto-de-um-disco-só Jack The Tab lançou seus Acid Tablets com a ótima “M.E.S.H. -- Meet Every Situation Head On”. Na verdade era o malucasso Genesis P.Orridge do Psychic TV brincando de acid house. Outro míssil certeiro pras pistas da época.
Na época teve até banda de rock que se rendeu à onda acid, caso do Pop Will It Itself com o single “Def Con One”. Com faixas como essa, estava difícil a competição pra ver quem lançava o hit mais irresistível da samplemania.
Saindo um pouco das ilhas britânicas a Holanda trazia o projeto Hithouse de Peter Slaughis (que num passado não muito remoto esteve por trás do Video Kids, aquele do hit electropop “Woodpeckers From Space”).
Depois que a onda estava oficializada foram lançados singles e mais singles dentro da idéia de músicas com o maior número de samples possível dentro de 5 min (que é o tempo que duravam em média essas tracks de house). Nada que surprendesse tanto quanto as músicas anteriores, mas que funcionavam muito bem embaixo de uma luz estrobo anunciando a década eletrônica que teríamos. É o caso do Silicon Dream, que saiu da Alemanha para o mundo com “Wunderbar” e a sua base totalmente chupada do Hithouse. A propósito, essa foi a faixa que o Gil Riquerme me mandou e me fez escrever este post.
A vocalista do The Gossip não precisava fazer mais nada depois de tudo o que ela já gravou com a banda, mas não. Sabe-se lá como ela conheceu os responsáveis pelo projeto Simian Mobile Disco e lançou essa preciosidade recentemente.
O vídeo é claramente inspirado no já clássico Justify My Love da Madonna, não bastassem as referências à cantora com os trechos de dança vogue que a diva do pop já tinha homenageado do seu jeito com hit homônimo.
Não dá pra deixar de falar que parece que a voz poderosa de Beth Ditto foi feita sob medida pra cantar/gritar numa boa levada da house music. É ou não é pra desistir de produzir qualquer coisa depois disso?