E já que estamos chegando naquela data festiva das mais esperadas pelo brasileiro, que tal falarmos um pouco do assunto?
A Música Eletrônica é um gênero que flerta com os mais diversos tipo de música, e é isso que faz ela ser tão legal. Irriquietos e sempre à procura de novidades para dar um molho a mais nas suas produções, os produtores eletrônicos desde cedo olharam para os ritmos exóticos (aos olhos e ouvidos deles).
O samba seria um desses ritmos “exóticos” para os quais os gringos começaram a olhar no começo da década de 1990 e, de lá pra cá rendeu bons frutos.
Senão, vejamos esta produção de 1992 dos holandeses The Goodmen, que na época foi tida como uma das que detonaram a onda da verdadeira tribal house (pois é, já existia esse nome nessa época…).
Outra faixa dessa fase, já mais chegada nas origens do trance foi 20Hz do Capricorn, um projeto vindo da Bélgica.
Outro que se aproveitou dessa onda na época foi o argentino DJ Deró que fez fama com Batucada, que segundo diz a lenda, foi sampleada de alguma produção de Carlinhos Brown.
O Junkie XL é o holandês Tom Holkenborg, uma figura singular na música eletrônica. Desde 1995 vem produzindo música da melhor qualidade e desde sempre recusa-se a limitar sua música a algum estilo específico. Não a toa XL quer dizer Xpanding Limits. Já remixou meio mundo, tocou como DJ num monte de lugar e já se dedicou até a trilhas de games.
Este Fairlight EP só vem a confirmar que ele não perde o ritmo do tempo, lançando dois petardos certeiros. A primeira música é esta nu disco épica, quase sinfônica em alguns momentos. Pedrada.
http://www.youtube.com/watch?v=rEiFoaxDLoA
A outra faixa é esta que tem imagens do seriado Miami Vice, aqui com uma pegada mais rock que é a cara e o clima das produções desse gênio musical da Holanda. Baixa bpm, oitentista e apoteótica.
Esse produtor e DJ foi o responsável pelo primeiro contato entre as cenas de Amsterdã e Detroit (via Kevin Saunderson). E não era à toa: seu techno de poucos elementos e sofisticação melódica tinha tudo a ver com a capital do techno no comeco dos anos 1990. Uma das músicas que bem exemplifica essa consistência é “Play It Loud” do projeto Baruka de 1994, um dos inúmeros aliases que Voorn assumiu na sua longa discografia.
Como no post anterior, continuo com o assunto Holanda, e ainda sobre o DJ e produtor Steve Rachmad, um dos meus preferidos de Amsterdã.
Ignacio é outra persona de Rachmad e o single que representou bem seu som é justamente este primeiro que lançou o projeto. Com bpms lá em cima é a cara do techno da época: minimal e acelerado. Ao mesmo tempo com um senso melódico que quebra um pouco o fato da música ter poucos elementos e ser tão repetitiva. Coisa de mestre.
E a Copa, hem… Se você, como eu, não leva isso muito a sério, vai entender porque estou citando a Holanda nesta espécie de homenagem à música de maior qualidade que ela tem nos brindado nas últimas décadas.
Um dos meus produtores prediletos é o DJ Steve Rachmad, tido como o mais detroitiano dos produtores de Amsterdan, sobretudo sob a alcunha de Sterac, que nos anos 90 nos brindou com esta obra-prima.
http://www.youtube.com/watch?v=J4Xsu5s2uuU
Trilha sonora de muitos fins de noite e provavelmente ponto alto dos primeiros after hours no Brasil, esta música é a prova que o techno também pode ser melódico, poético e, sobretudo, sofisticado.
Depois dos anos 2000 Rachmad transformou o projeto em Sterac Eletronics. Mas além desse alias, também ficou conhecido como Ignacio, Dreg, Continous Cool e, claro, Rachmad Project, dos quais vou voltar a falar mais pra frente.
A primeira vez que ouví esta house foi num dos melhores carnavais da minha vida: era 1996 e eu estava curtindo Florianópolis pela primeira vez. Estávamos todos enfiados no bar Órbita no centro de Floripa, uma ilha de música eletrônica no meio do mar de axé e samba das ruas. Acabamos caindo acidentalmente nesse cubículo sonoro onde acontecia de tudo embaixo de uma luz negra embalados pela trilha de um DJ inglês que, vim a saber depois, tinha sido roadie do grupo The Aloof, um dos precursores do prog house alguns anos antes na Inglaterra.
No meio da house e techno underground que saía das caixas, cortesia da dupla Spark & Spiceee (novos e ótimos DJs de Floripa daquela fase), o tal “DJ do The Aloof ” caprichava num repertório cheio de novidades e lá pelas tantas toca esta faixa que cativou meus ouvidos. Não era pesado como o techno ou cheio de vocais e percussão como a house normal que conhecíamos… era melódica, profunda e extremamente hipnótica. Fiquei sensibilizado naquele momento e guardo essa momento como o dia e a hora que caí de amores pela deep house.
Alguns meses depois adquirí a versão 12″ em Amsterdam, lugar onde foi produzida pela prolífica dupla de produtores holandeses Dobre & Jamez, e desde então, nunca mais saiu da minha case.