Os nomes dos projetos da italo disco nos anos 80 são ótimos. A maioria remetia à tecnologia, espaço ou romance mesmo. Adicione a isso muito d.r.a.m.a. É o caso deste “Planeta Distante” de “Os Viajantes”.
Ouví ela num set do Aeroplane desde o ano passado e foi crescendo a cada audição a ponto de virar minha trilha dos últimos dias. O mais interessante é ser mais um caso daquelas músicas que não chegaram até nós aqui do lado debaixo do Equador na época do seu lançamento.
Não canso de ver/ouvir “Prisencolinensinainciusol”, umenigma em forma de música desde o ano passado. Um certo italiano Adriano Celentano, diretor de cinema, ator (participou de La Dolce Vita de Fellini), comediante e compositor lançou esta música em 1972 e fez tremendo sucesso após aparecer na rede de TV RAI.
A letra não quer dizer absolutamente nada (e há versões com “legendas” no You Tube), soa como alguém falando/cantando em inglês britânico (e segundo o próprio Celentano a letra “fala da incomunicabilidade entre as pessoas”). Mas o inusitado não para aí: o som é um funkão de rachar o soalho, com o tal rap do além que tem participação de sua mulher nos vocais (no vídeo dublado pela atriz Rafaella Carrá). Há também um naipe de metais pontuando o batidão que combina com as dancinhas e coreografias dos dançarinos em roupas e adereços que tampouco envelheceram. E tudo tocado num loop infinito e monocórdico como se fosse uma peça minimalista eletrônica.
Pense comigo: em 1972 o rap, a house, o techno, nada disso existia. O que Celentano fez nessa performance num programa de humor foi antecipar muito do futuro. É assombroso.