A semana que passou foi uma surpresa pra mim, acostumado a rotinas mais voltadas à escola para DJs AIMEC ou gigs na noite em alguma cabine de som. Tive três dias voltado a palestras em dois lugares diferentes, e essa foi a principal razão pela não não estive tão presente no blog.
A primeira dessas palestras eu mencionei no post anterior e foi feita na Lemon School pro curso de Cool Hunting coordenado pela Berlin Inovação + Tendências. Alí falei do histórico das redes sociais dando enfoque ao lado da música e dos virais dessa área que percorrem a internet principalmente depois do advento do You Tube. Muito interessante lidar com um público de profissionais de várias áreas, todos interessados no que virá na moda, música, tecnologia e comportamento humano.
As próximas palestras foram na sede da AIMEC em Porto Alegre para alunos do curso na formação de DJs. O tema desta vez esteve focado na História da Música Eletrônica e suas várias sub-divisões, assunto ao qual me dedico desde muito tempo atrás. Entre dicas de vídeos e documentários na internet, vinís e cds com amostras de sons, trocamos muitas ideias com 3 turmas diferentes. Sempre vale frisar também que nessas horas fazemos novos links e contatos tanto entre eu e a audiência, como entre eles mesmos, pelos comentários que faziam enquanto viam/ouviam as músicas que ajudaram a construir todo um novo gênero na música.
E ainda sobre os novos links, agradeço a todos que elogiaram as palestras e aos que me adicionam no Orkut, Facebook e Twitter.
E hoje faço uma palestra dentro do curso de caça às novas tendências na Lemon School em Curitiba. O curso é organizado e coordenado por Andrea Greca e Paula Abbas da Berlin Cool. Devo falar a aproximadamente 25 alunos sobre as novas tendências de divulgação musical dentro da realidade da web 2.0 e das redes sociais.
Só uma palinha de um dos vídeos que devo mostrar aos alunos do curso:
Um outro projeto que me encantou com um single apenas foi o K-Klass. Os ingredientes estavam ali: ótimos timbres e sequenciadores, vozeirão poderoso (cortesia de uma certa Bobbi Depasois) e um piano killer. Só podia dar certo e “Rhythm is a Mistery” alcançou o 3º lugar nas paradas de singles do Reino Unido em 1991. Diz a lenda que eles frequentavam o mítico clube Haçienda em Manchester, conheceram um dos integrantes lá e acabaram se apresentando ao vivo depois nesse mesmo lugar.
Até hoje fico emocionado quando escuto isto:
Pelo que ouço falar, o DJ Renato Lopes em São Paulo tocava este hit nos áureos tempos do primeiro clube a divulgar a cultura clubber no Brasil, a Nation. E dessa época, tem este vídeo com a apresentação deles no Top Of The Pops.
E este foi o single “Let Me Show You” que tinha a receita certa para ser um hit mas acabou não repercutindo tanto.
Subestimados no Brasil, a dupla The Beloved teve dois hits no começo dos anos 90. Apesar do seu primeiro álbum “Hapiness” ser lançado por aqui (que eu tenho bem guardado pois comprei o vinil lançado no Brasil na época), só tiveram alguma repercussão entre os muito aficcionados de sons eletrônicos (leia-se um meia dúzia de gatos pingados em Maringá, onde eu morava, não sei como foi no país na época, mas imagino que não tenha sido diferente do que onde morava).
O primeiro grande single da banda, “The Sun Rising”, falava do nascer do sol, numa ligação direta aos fenômeno das raves que assolavam a Europa entre 1989 e 1993. Aqui a gente lia sobre o assunto babando de inveja nas revistas Bizz (na coluna Dance Music do mestre jornalista Camilo Rocha) e na Folha de São Paulo (via Noite Ilustrada da descolada Erika Palomino). Graças a essas poucas fontes não ficávamos tão às cegas na garimpagem de informação. Mas voltando ao The Beloved, o som deles caiu como uma pluma nos meus ouvidos sedentos de sons sintéticos e viciado em melodia (e coloca VICIO EM MELODIA nisso). Comprei o vinil e ouvi meses sozinho em casa devaneando como devia ser legal dançar num descampado com o sol nascendo…
Em 1993 viajava pela primeira vez pela Europa, maravilhado com a Espanha – era um sonho realizado de anos. Sozinho com uma mochilão nas costas. E apesar de ficar limitado a viajar só na Espanha, pra mim foi uma verdadeira virada de vida, fascinado que estava com tudo. E ouvia as rádios em toda oportunidade que podia! E até quando não podia, dormindo com o walkman ligado até a pilha acabar. Foi quando comecei a notar uma espécie de house com bpm extremamente baixa e muito bonita que tocava toda hora na programação, fosse em Madri, Barcelona ou Santiago de Compostela. Não demorou muito pra descobrir que eram os The Beloved com seu novo hit “Sweet Harmony”. Disso tudo, a lembrança mais forte com essa música é eu sentado na praia com os pés na água, num dia de sol olhando a baía de San Sebastian sozinho no meio de uma multidão. E com a trilha sonora perfeita, diz aí…
Semana dedicada a uma parte dos anos 1990 que tocaram a todos que lá estiveram, como eu e vários amigos espalhados pelo mapa do Brasil. Como bem lembrou o Xisto, que agora mora em BH, foi uma época em que eu morava em Maringá (região do Norte paranaense) e tínha uma turma de amigos e agregados obcecados pelas novidades que vinham da Europa. Até uma mini-rave (se é que podemos chamar assim) a gente tentou fazer na época!
Entre muitos que faziam parte dessa turma dos loucos por música e noite, começo mencionando Josley B, Fabricio (D.Vyzor), Adriano (Haveck) e Docão que se tornaram todos excelentes DJs, além de Batata & Carlão (dupla engraçada que se agregou a nós), o promoter Waltão Garcia e os irmãos Ricardo e Marcelo. E mais tarde o próprio Xisto iria se juntar a nós. A maior parte dessa turma animada acabou se juntando até pela frequência da danceteria que foi fundamental para a noite de Maringá nessa década, a Yellow. E foi nesse lugar que assistíamos muitos vídeos recém-lançados pela Telegenics, distribuidora poderosa da época e que nunca tínhamos ouvido falar, mas que foi fundamental na divulgação dos novos artistas que bombavam na novíssima cena da house e techno da época. Internet? Mp3? Nem sonhávamos, definitivamente eram outros tempos.
E como trilha desse momento, lembro muito bem dessas músicas mais doces embaladas com uma voz suave de alguma cantora obscura que tinham apenas um hit e depois sumiam, para dar a vez à próxima novidade. Uma delas foi Kirsty Hawkshaw do Opus III, nessa enigmática “It’s a Fine Day”, que até hoje não entendo como fez tanto sucesso: pode-se dizer que era o vocal, os arranjos de bom gosto (o que não quer dizer que seja popular), a melodia grudenta, o fato da música ter um formato pop, sei lá. Pense comigo: quantas músicas nesse formato foram lançadas ne época? Aqui no Brasil chegaram poucas, mas sei que no Reino Unido tinham vários singles com essa proposta.
E só pra constar, a versão original dessa bela música é da dupla Jane & Barton em 1983.
Uma das músicas que queria postar há tempos é este clássico do grupo inglês Sunscreem, que só traz boas recordações a todos da minha geração que viram a chegada da house e da cultura rave no Brasil no começo dos anos 1990. O mais bacana dessa música é que ao mesmo tempo em que ela é dançante é quase uma balada de tão doce que são melodia e os arranjos e voz da cantora do grupo Lucia Holm. O caráter futurista desta “enchedora de pistas” vem dos timbres muito bem arranjados, além terem sido muito felizes na cadência dos acordes (total papo de músico).
Depois deste smash hit o Sunscreem, cujo nome descobri veio de um sintetizador da Yamaha, praticamente se tornou o famoso one hit wonder pois os singles “Perfect Motion” e “Pressure” não empolgaram tanto os fãs de música eletrônica na época. Mesmo assim com “Love U More” garantiram seu lugar como um dos grandes singles da década de 90.