Começo aqui uma tag nova dentro do blog dedicada somente a aquelas músicas que se tornaram clássicas no seu lançamento anos atrás e que ganharam releituras atuais, ou acabaram voltando em remixes e reedits atuais. Também serve para efeitos de comparação pra todo mundo que tá acompanhando o blog. Vou postar aqui muitas das músicas que já toquei, que são minhas prediletas ou que eu acho que tem alguma história legal por trás. E se gostarem aproveitem para dar a sua opinião sobre as tracks e até sugestões, vou adorar.
Começo a série com este clássico que se confunde um pouco com trance, prog house e também com um certo rótulo chamado nos anos 90 no Reino Unido chamavam de handbag (que quer dizer literalmente “bolsa de mão”, sabe aquele momento em que as mulheres corriam pra pista pra dançar um hit com os braços pra cima e jogavam as bolsas no meio da roda na pista? Depois vou fazer só um post explicando o rótulo).
O projeto O.T. Quartet nada mais eram que outro projeto de Rollo da dupla Rollo & Sister Bliss (os irmãos que eram os cabeças do Faithless). Lembro que a primeira versão da música me chamou atenção pela sua sequência de acordes mais sofisticadas que o normal pra uma house comercial, o que tinha a ver com a formação em piano clássico de Rollo. Uma viajeira melódica que acabou tocando muito no verão de 1994 na costa mediterrânea (e caiu muito bem na cena do bakalao em Valência).
O.T. Quartet -- Hold That Sucker Down (Original) -- 1994
Logo depois lançaram esta versão com vocais que acabou caindo nas graças das drag-queens da época que não cansavam de dublá-la em seus shows..
O.T. Quartet -- Hold That Sucker Down (Vocal) -- 1994
E eis que recentemente lançaram esta versão que eu acabei ouvindo no meio do set de um DJ numa festa que fui esses dias. Não achei que ficou tão boa como a original, mas esse é um grande risco que se corre ao remixar uma música que já está ótima na sua versão original. Acho que esta versão nova ficou com a sonoridade típica do electrohouse genérico que assola as nossas pistas, boa pra quem gosta e toca um som mais comercial.
Não canso de ver/ouvir “Prisencolinensinainciusol”, umenigma em forma de música desde o ano passado. Um certo italiano Adriano Celentano, diretor de cinema, ator (participou de La Dolce Vita de Fellini), comediante e compositor lançou esta música em 1972 e fez tremendo sucesso após aparecer na rede de TV RAI.
A letra não quer dizer absolutamente nada (e há versões com “legendas” no You Tube), soa como alguém falando/cantando em inglês britânico (e segundo o próprio Celentano a letra “fala da incomunicabilidade entre as pessoas”). Mas o inusitado não para aí: o som é um funkão de rachar o soalho, com o tal rap do além que tem participação de sua mulher nos vocais (no vídeo dublado pela atriz Rafaella Carrá). Há também um naipe de metais pontuando o batidão que combina com as dancinhas e coreografias dos dançarinos em roupas e adereços que tampouco envelheceram. E tudo tocado num loop infinito e monocórdico como se fosse uma peça minimalista eletrônica.
Pense comigo: em 1972 o rap, a house, o techno, nada disso existia. O que Celentano fez nessa performance num programa de humor foi antecipar muito do futuro. É assombroso.
Tenho ouvido e amado essa música nos últimos 3 meses desde que ela foi lançada. Já que estamos num momento synthpop forte, ouça esse single dos Hot Chip e diz se o seu dia não fica melhor depois disso… Pra mim já é uma das melhores de 2010.
E aqui outra versão pra você dançar sozinho feito louco no meio da sala.
Hoje estou em São Paulo e vou assistir a um show único no Brasil do Midnight Juggernauts no clube Hot Hot. Ultimamente poucas bandas, projetos ou DJs me fariam deslocar de Curitiba (onde moro) até aqui apenas para assistir a sua performance. Mas eles são especiais pra mim.
Descobri o som deles em 2007. Após alguns meses tentando descobrir o nome daquela bela música que tinha ouvido numa mixtape do DJ Luis Paretto, eis que descubro que aquela bela mistura de rock com melodias space à la Giorgio Moroder eram de uma banda chamada Midnight Juggernauts e a música era “Shadows”. O mais curioso foi saber que não estavam sozinhos nessa onda de bandas melódicas vindas da longínqua Austrália: haviam outras ótimas revelações como Cut Copy, The Presets e Van She.
Além do italiano Giorgio Moroder o som deles me remete ao E.L.O. (Electric Light Orchestra), e daí se explica a familiaridade que senti nas suas melodias. Outras duas faixas do primeiro álbum Dystopia que recomendo são “Road To Discovery” e “Tombstone”.
E agora eles vêm ao Brasil divulgando o seu próximo álbum que sai em junho e o novo single desse álbum é “This New Technology”.
Passado um dia após o show, ainda tento digerir tudo o que ví. Uma certeza fica: queria assistir de novo só pra prestar atenção em mais detalhes de tanta música boa a que fui exposto nas 1h40 ao vivo com Mr. Little Idiot.
Fica um vídeo de um dos meus hits prediletos, Go, ao vivo em Curitiba. Quer saber o que foi esse show? Leia o review do show no RraurlMusicness.
Aproveitando a vinda no Brasil do produtor e DJ Moby vou fazer uns posts com minhas dicas, já esquentando pro show da quarta-feira (21/04) em Curitiba, onde moro atualmente.
Lembro que em 1993 começamos a ouvir falar nesse produtor de Nova York que tinha um certo hit nas raves da Europa e EUA. Eu e meus amigos em Maringá (onde morava na época) éramos um pequeno grupo que trocava informações musicais e, lembro como nos identificamos com o som atmosférico de Moby. Nessa época reinava no meio eletrônico underground os sons agressivos do hardcore techno (Altern 8, Prodigy em começo de carreira, T99, Praga Khan e toda sua trupe belga) e a gente acabou colocando o Moby nesse mesmo saco de gatos. Detalhe que o termo e o som do trance estava nascendo e não podíamos imaginar que o hit “Go” de Moby era a antesala pra grande arena da trance music que ia se formar nesse ano.
Nosso coração dividia-se entre a pastilhada “Next is the E (I Feel It)” e “Go”. Fora a anomalia que era a track “Thousand” (lado B do single “Next Is The E”) que chegava 1000 bpms (daí o nome da música), o que nos impressionou na época. Ela era uma boa peça de marketing na verdade, pois daí surgiu a conversa que era a música mais rápida já feita na história…E então ele lançou o EP “Move” mostrando um caminho com bpms mais baixas e refrões com vozes negras já dando a dica da influência soul que ia aparecer nas suas produções mais pra frente. Ah claro, muito pianos melódicos.
Go (1991) -- com melodia da trilha da série americana campeã de audiência Twin Peaks e sample de “Go” do Tones On Tail.
Go (Trentemoller Remix) (2008) - um dos poucos remixes recentes dignos de nota, na minha humilde opinião.
Next Is The E (1992) - pianos melódicos em profusão, altas bpms, gritos e samples em homenagem ao Ecstasy que tomou conta da cena das raves européias e norte-americanas.
Thousand (1992) - tente dançar isso e ganhe um ataque cardíaco de brinde…
Move (You Make Me Feel) (1993) -- mais uma alusão clara ao deslumbre com o ecstasy na única frase da música.
Descobri a Marina & TD através duma dica do Rraurl falando das apostas que a BBC em novos artistas para 2010. Isso foi novembro de 2009 e até agora essa música não me sai da cabeça. Quer saber por quê? Ouça e veja se não dá vontade de cantar bem alto o refrão? Fora que a letra em sí é outro drama. O que ela lembra? Kate Bush em momento pop encontra David Bowie fase Ziggy Stardust.
Essa vai pro Luis Gustavo que tá seguindo o blog lá do Japão (!).
UPDATE:
E o @xalxa me lembrou pelo Twitter que existe essa versão disco com muitos claps. Valeeeeu!
Esta semana o novo single dos Scissor Sisters caiu como uma bomba aqui no meu player. A música é sensacional com a maior cara de música de festa mesmo. Pra quem nunca ouviu falar neles, são de Nova Iorque (tipo óbvio, heh), fazem ótimos shows (tomara que venham logo pro Brasil) e estão nos alegrando desde 2002. Ouça aí e veja se não é pra ouvir e ficar de bem com a vida.
Scissor Sisters – Invisible Lights (2010)
E pra relembrar, o primeiro single que fez com que todos caissem de paixão pela banda. Uma cover pra uma música conhecida do Pink Floyd (fase The Wall) com um cruzamento improvável de vocais à la Bee Gees (!!!).
Scissor Sisters – Confortably Numb (2002)
E mais dois clips pra você colocar um grande sorriso no rosto.
Que essa tendência de volta dos ano 90 já vem sendo alardeada há um tempo, não há dúvida. Lembro que os The Klaxons já vinham mostrando esse caminho em 2007, além de inúmeros artistas (que vou comentar mais pra frente) usarem essa referência em música e imagem. Assistindo esse vídeo tenho cada vez mais certeza que tudo é cíclico. E a volta nunca é como foi na versão original…